O Campeonato do Mundo de Paraciclismo chega a Portugal menos de uma década depois de a Federação Portuguesa de Ciclismo ter iniciado o trabalho de dinamização desta vertente da modalidade. “A minha abordagem ao paraciclismo dá-se em 2009, mas é só em 2012 que tudo ganha outro rumo com a gestão da modalidade por parte da Federação Portuguesa de Ciclismo. O crescimento aconteceu a todos os níveis: número de praticantes e de provas, competitividade e presença da Seleção Nacional nos maiores eventos internacionais. Este Mundial é o fruto de tudo isso”, recorda Telmo Pinão, um dos dois paraciclistas portugueses que participaram nos Jogos Paralímpicos de 2016.

Luís Costa é o outro paralímpico do ciclismo português. O vencedor da medalha de bronze na prova de contrarrelógio de classe H5 no Mundial de 2017 mostra-se feliz com a prova que vai decorrer no Circuito Estoril. Considera que “é um prémio para evolução que os paraciclistas nacionais têm vindo a apresentar nos últimos anos. Embora ainda sejamos menos do que gostaríamos, os resultados internacionais que temos alcançado não passam despercebidos e Portugal já tem uma excelente imagem no mundo do paraciclismo internacional”.

Os dois corredores convergem na ideia de que a competição pode ser vista como um prémio pelo percurso já deixado para trás, mas também concordam que não será o fim do trajeto. Pode até ser o início de algo maior.

“A realização do Campeonato do Mundo vai promover como nunca esta vertente do ciclismo. Por muitos bons resultados que alcancemos a nível mundial, nunca conseguimos ter o impacto na sociedade que um evento deste calibre pode alcançar. Espero sinceramente que isto resulte no surgimento de mais interessados em competir no paraciclismo nacional”, adianta Luís Costa.

Telmo Pinão também vislumbra oportunidades de desenvolvimento e de reconhecimento: “Esta competição trará ao país benefícios a montante e a jusante. Teremos um número considerável de participantes, uma oportunidade para mostrar a nossa capacidade organizativa. Terá uma enorme importância para todo o desporto adaptado português, podendo potenciar patrocínios para equipas, entidades e atletas, atuais e futuros”.

A ambição dos dois paraciclistas passa por estarem entre os melhores, aproveitando o chamado “fator casa”. “Vou lutar por um top 5 na minha classe, algo cada vez mais difícil, porque o nível competitivo subiu muito nos últimos anos. Sendo a última grande competição antes dos Jogos Paralímpicos, será uma oportunidade para avaliar a minha performance e para perceber como me comparo com aqueles que serão os adversários em Tóquio”, explica Luís Costa.

Telmo Pinão vai competir na classe C2 e aponta “aos dez primeiros, tanto na prova de fundo como no contrarrelógio”. Para isso, fará uma preparação detalhada: “Para além de estar agendado um calendário muito completo antes da prova, estarei em estágio de altitude nos dias que antecedem a competição”, revela.

Luís Costa não fará preparação específica para o Campeonato do Mundo, mas olha para o calendário internacional como oportunidade, porque “temos duas Taças do Mundo, em maio, e o Campeonato da Europa, na semana anterior ao Mundial. Não faltarão testes aos nossos ‘motores’”.

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